martes, 8 de septiembre de 2009

"O Teatro dos Anjos" por Dirceu Cateck

No te pierdas mañana, miércoles 9, la entrevista a Dirceu Cateck en Movida Brasileña. Radio Círculo 100.4fm Madrid, de 11:00 a 12:00h


Dirceu Cateck com Fernando Meirelles

Romance de estreia do escritor Dirceu Cateck aborda homossexualidade e imigração

Nascido em Guarujá há 32 anos, escritor reside em Madri há oito.

O Teatro dos Anjos, livro de estreia do escritor Dirceu Cateck, pela Giz Editorial, é a narrativa de uma história de amor que entrelaça a vida de três personagens do mesmo sexo: Miguel, Rafael e Gabriel.

Com estilo refinado e sem apelar para glamourização ou estereótipos, o autor põe o leitor diante das peculiaridades do universo homossexual. ‘‘Queria apresentar para o público em geral que uma pessoa pode amar naturalmente outra do mesmo sexo e que isso não lhe tira a condição de ser humano. Ela também sofre, se diverte e sonha, como todas as outras’’, explica Cateck.

O protagonista desse enredo é Miguel, um rapaz de pouco mais de 20 anos, que supera um conflito interior após se descobrir homossexual e vai viver na Espanha, deixando para trás a família e os amigos.
Rafael personifica o anti-herói e serve de elo entre Miguel e Gabriel, um jovem que perde o pai e também se depara com questões existenciais desse gênero. ‘‘Cada um é de um jeito, e isso abrange uma complexidade infinita’’, analisa Cateck.

Nascido em Guarujá, no litoral paulista, há 32 anos e há oito morando em Madri, na Espanha, o escritor ressalta que, apesar da temática, não escreveu o livro para um público específico e que ele pode ser lido por qualquer tipo de leitor. ‘‘Os homossexuais leem romances heterossexuais. Penso que, quando falamos de amor, a sexualidade e o sexo não importam. Espero que um dia, esses rótulos se tornem obsoletos.

Qualquer pessoa pode ler o livro, tenho certeza de que isso ajudará muita gente a ver o universo gay por outra óptica’’, acrescenta. A certa altura da história, por exemplo, Miguel observa que a mesma opção sexual é capaz de reunir pessoas de origens e classes diferentes em um mesmo círculo social.

Essa característica acaba servindo de proteção contra preconceitos, discriminações e até agressões motivadas pela homofobia. ImigraçãoPela trajetória do personagem Miguel, O Teatro dos Anjos aborda ainda as dificuldades que um imigrante precisa superar para sobreviver em um país estrangeiro, não por acaso a Espanha.

A principal delas talvez seja vencer o medo diário de ser deportado enquanto está em situação ilegal. Ao mesmo tempo, o leitor é apresentado à cultura espanhola, descoberta pelo olhar do imigrante Miguel.

Dirceu Cateck pensou em se tornar escritor quando tinha cerca de 12 anos. Na época, em 1989, cursava o Ensino Fundamental na Escola Estadual Lâmia Del Cístia, em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá, no litoral paulista, e leu Éramos Seis, de autoria de Maria José Dupré.

O livro, que mexeu com suas emoções e o fez chorar, lhe fora emprestado por sua professora de Português, Lídia Maria de Melo, que hoje é jornalista e assina o prefácio de O Teatro dos Anjos.

O lançamento em Madri, na Espanha, acontecerá no dia 09 de setembro na Casa do Brasil.Horário: 19h às 22:00h

A capa do livro é assinada por Sara Narváez Pérez.




Sinopse de O Teatro dos Anjos

O Teatro dos Anjos, romance do escritor Dirceu Cateck, conta a história de Miguel, um jovem homossexual que abandona o Brasil para ir viver um grande amor ao lado de Rafael na Espanha. Em terra estrangeira, o êxtase desse sentimento se dissipa à medida que as dificuldades de estar clandestino começam a fazer parte de seu cotidiano. A saudade dos seus e a privação de sua liberdade colocam-no diante de uma contenda interna entre o amor e a dignidade.

Simultaneamente, são relatadas duas outras histórias paralelas. Uma delas é a de Gabriel, que perde o pai e o irmão em um acidente automobilístico e se vê obrigado a amadurecer precocemente para suportar a proteção asfixiante de sua mãe. A descoberta de sua sexualidade e a pressão sofrida em casa levam-no a grandes conflitos internos. Enquanto Miguel se adapta a sua nova vida na Espanha, no Brasil, seus familiares e sua melhor amiga, Célia, vivem ansiosos para que ele regresse a sua terra natal. As adversidades vividas pelos personagens das três histórias os separam e também os unem.



Trechos de O Teatro dos Anjos, de Dirceu Cateck

''Embora Miguel estivesse feliz com sua nova vida, sentia certa inquietação.
Em um mês venceria seu visto de turista e ficaria clandestino no país. Escutou várias histórias de pessoas que estavam ilegais e temia que lhe passasse algo parecido. Quando decidiu ir a Madri, não pensava em outra coisa que não fosse estar com Rafael. Mas aos poucos teve que colocar os pés no chão, seu dinheiro estava quase terminando. Seu namorado desde o início dizia que o apoiaria economicamente até onde precisasse, afinal estavam amancebados. Ele também esteve sem documentações quando chegou durante os primeiros meses, mas logo conseguiu regularizar sua situação. Dizia veemente que em breve sairia alguma lei de anistia e então poderia trabalhar sem problemas.
E quando isso acontecesse, os dois poderiam traçar um projeto em comum para suas vidas. Mas Miguel era independente demais para aceitar ser mantido por alguém, manifestou sua vontade de começar a trabalhar, muita gente ilegal o fazia, ele apenas seria mais um. Rafael tentou persuadi-lo para que tivesse paciência, mas não teve jeito.Então ligou para o restaurante de Lázaro e Álvaro, um casal de brasileiros que havia conhecido desde que chegara à Espanha, e que lhe havia dado trabalho. Quem atendeu foi o encarregado e informou que os dois estavam viajando. Miguel ficou frustrado''. (pág. 37)

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''Quando pegaram o trem de volta para casa, Rafael lhe explicou que existiam duas possibilidades de ele se regularizar. A primeira era, embora tivesse chegado depois da data, tentar pela lei que havia saído.
A segunda seria conseguir com seus chefes uma oferta de trabalho. Qualquer cidadão estrangeiro que estivesse em situação irregular na Espanha podia ser legalizado,se alguma empresa lhe oferecesse um posto de trabalho. Miguel respirou mais aliviado. Seu visto de turista venceria em duas semanas. E a partir daí, já ficaria clandestino no país. Essa situação o aterrorizava. Embora fosse consciente de que isso aconteceria, desde quando saiu do Brasil, não tinha noção exata dos riscos que corria. Não é a mesma coisa chamar pelo diabo que vê-lo aparecer''. (pág. 42)

1 comentario:

mayre dijo...

AMIGO DIRCEU ESTOU MUITO FELIZ POR VC E Q SEJA OU MELHOR VAI SER COM CERTEZA UM GRANDE SUCESSO SEU MARAVILHOSO LIVRO ESTOU TORCENDO MUITO POR VC Q DEUS O ABENÇOE BJOSSS DE SUA AMIGA MEIRE-GUARUJA BRASIL.